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Encontro com o “seu” Dodô

Texto de Antônio Carlos Izolan

“… Muitas vezes nos deparamos com pessoas que, de uma forma muito curiosa e até mesmo insólita, surgem em nossas vidas deixando marcas indeléveis. São seres especiais embora muitas vezes nem eles próprios se deem conta disso. Apresentam-se das mais variadas formas sendo que na maioria delas como pessoas simples e que não chamam a atenção. Apenas são notados por aqueles mais sensíveis e observadores que estão atentos à vida e, principalmente, ao que se passa no seu entorno.

“Foi o que aconteceu por volta do ano de 1990 com o jovem Delci que, naquela época, já tinha completado seus vinte anos de idade. Certo dia, ele foi a uma agência bancária no centro da cidade de Alegrete para realizar algumas transações bancárias. Como era de praxe naquela época, entrou numa longa fila para ser atendido pelo caixa. Como bom observador, lhe chamou a atenção um cidadão que estava alguns metros à sua frente e que também estava na fila esperando para ser atendido.

“Era um senhor aparentando seus setenta e poucos anos, usando bombacha, uma forma de vestimenta muito comum no interior do estado, magro, pele morena bronzeada, altura mediana, calvo, com os cabelos remanescentes grisalhos e lisos. Usava uma barba comprida também grisalha e que atingia a região próxima ao umbigo. Sua cor era característica dos povos asiáticos, particularmente dos que habitam a região do Tibete. O que mais lhe chamou a atenção foi sua aparência física muito semelhante ao que os filmes da época representavam como estereótipo de um mestre tibetano. É importante salientar que o Delci sempre teve muita simpatia e curiosidade pelas pessoas e coisas do oriente.

“Na ocasião, após ser atendido pelo caixa, o referido cidadão retirou-se normalmente, sem olhar para o Delci. E o tempo passou. Alguns meses depois ele foi visto passando em frente ao salão onde ele trabalhava, na Rua Joaquim Nabuco, mas não se cumprimentaram. Passados mais alguns meses ele surgiu repentinamente no salão para cortar o seu cabelo. Ao entrar, cumprimentou-o e disse: “eu não falei contigo lá no banco, mas eu te vi. Estava te procurando”. Podemos conjecturar que, por ocasião daquele “encontro” lá na agência bancária, foi mais uma percepção interna que ele teve, pois, fisicamente falando, não houve nenhum contato, mesmo visual. Inicialmente, o jovem Delci não entendeu direito o que ele queria dizer, pois não sabia se ele estava procurando-o para cortar o cabelo ou para conversar. A partir daí surgiu uma amizade desinteressada entre os dois que durou mais ou menos uns oito anos. O Delci nunca cobrava pelo seu serviço de barbeiro e ele retribuía sempre a gentileza com pequenos e singelos presentes. Podemos dizer até que, em muitas ocasiões foi um confidente e conselheiro do jovem Delci, principalmente nos momentos em que ele estava passando por alguma faze difícil da sua vida. Seus conselhos eram simples, mas profundos, frutos da sabedoria alcançada ao longo dos anos. Essa amizade só foi interrompida com o falecimento, em 1998, do “seu” Dodô, como era conhecido na cidade.

“O “seu” Dodô era uma pessoa muito simples e que vivia sua vida com muita dignidade. Trabalhava como jardineiro e teve uma época que residia de aluguel nos fundos de uma propriedade. Mais tarde, mudou-se para uma casa popular provavelmente adquirida de algum programa habitacional do município. Além da profissão de jardineiro, ele exercia uma atividade que era um misto de curandeiro e benzedor. Fazia de tudo um pouco. Lidava com ervas, rituais, benzeduras e aconselhamento espiritual. Já trazia do berço uma capacidade de interagir com outros planos e uma sensibilidade incomum que, a sua maneira, manifestava com muita discrição. Se fosse da Umbanda, poderíamos chamá-lo de pai-de-santo, se fosse espírita, de médium. Mas não seguia nenhuma dessas denominações. Fazia seu trabalho de uma forma independente, pois tinha uma vida interna que o diferenciava da maioria dos videntes. Gostava de ajudar as pessoas e o fazia por amor ao seu semelhante. Quando conversava, o fazia através de um linguajar antigo, o que chamava a atenção das pessoas. Seus clientes não eram muitos, mas os que possuía eram selecionados e assíduos frequentadores. Não fazia propaganda do seu serviço altruístico. Nessa época, o Delci ainda não tinha passado pela transformação interna. Em termos de espiritualidade, estava focado nos ensinamentos rosacruzes e, no que se refere às preocupações mundanas, centralizava sua atenção no seu trabalho, nos estudos, na sua vida amorosa e nas artes marciais.

“Depois de 09 de fevereiro de 2000 e durante os seis meses seguintes à transformação interna do Delci, não passava uma semana sem que ele recebesse a visita de um determinado ser que vinha com o objetivo de instrui-lo. Naquela época, ele estava numa fase de colher dados e informações sobre as estruturas energéticas e sobre a atuação dos centros energéticos planetários. Eram vários instrutores que surgiam com um cabedal de informações sobre como adaptar os símbolos de energia do MOINTIAN ao trabalho que eles faziam em cada centro energético. Também, tinha como objetivo o esclarecimento de como interagiam essas energias dos símbolos com as energias do planeta e dos centros energéticos. Eram muitas as informações que eram trazidas na forma de pacotes e que, mais tarde, tudo isso se resumiu nas técnicas que hoje estão no Manual do MOINTIAN. A atualização e adaptação da energia a esse novo período planetário se deu nesse período e que, como disse anteriormente, durou até, mais ou menos, uns seis meses após a transmutação interna pela qual o Delci passou.

“Numa dessas semanas especiais, surgiu um ser cujo nome cósmico era Ashan. Ele era um instrutor espiritual representante de uma hierarquia interna de cura ligada à sétima escola médica dirigida por Amaikon, discípulo de Withaikon e ligado ao centro energético planetário de ERKS, localizado na região de Córdoba, na Argentina. Este ser, num passado bem mais remoto, havia sido atlante e também da raça indiana pura. Nas páginas 328 e 329 do Manual do MOINTIAN tem alguma referência sobre ele. Na página 247 do livro Os Incríveis Seres de Dois Mundos também tem referência ao aprendizado que o Delci teve com esse ser. Ashan permaneceu por algumas semanas acompanhando-o, inclusive visitando-o no salão da barbearia. Seu objetivo principal era passar informações sobre o centro interno de ERKS. Ele também transmitiu muita informação sobre a atuação da energia e fez uma ponte importante quando o Jardim estagiou, entre junho e final de julho de 2000, no centro intraterreno de Anu Tea, localizado no mar do Japão. Num desses dias, a energia de Ashan permaneceu a manhã inteira na sua barbearia. Até aconteceu um fato muito interessante. Numa das constantes visitas que um amigo (um dos integrantes do grupo de meditação de Alegrete) fez ao Delci, lhe foi sugerido que colocasse as mãos na porta de metal que havia na entrada da barbearia. Ao fazê-lo, ele se surpreendeu com a temperatura da mesma, que estava bem mais elevada do que o normal. Ao lhe ser sugerido que sentasse e procurasse sentir o ambiente, foi aí que ele percebeu, com mais intensidade, a energia especial que ali estava condensada. Esse amigo era uma pessoa muito sensível e percebeu a energia de uma maneira muito forte e natural. Ele, naturalmente, sabia compreender quando algo era verdadeiro e esse fato o deixou muito admirado.

“A última encarnação desse ser aconteceu também em Alegrete. Vocês podem intuir quem foi? Exatamente. Foi o “seu” Dodô. Seu nome correto de nascimento, ninguém sabia. Apenas era conhecido pela maioria pelo apelido carinhoso de Dodô. Até hoje, através da minha pesquisa, não consegui descobrir mais detalhes da sua vida e o seu verdadeiro nome terreno. Essa história simples nos faz refletir sobre a importância de deixarmos a soberba de lado e tratarmos com respeito e consideração todas as pessoas que conosco interagem, por mais humildes que sejam. Não somos melhores do que ninguém. Muitas vezes, atrás de uma personalidade singela encontra-se um ser de elevada espiritualidade cumprindo a sua missão terrena. Aliás, todos nós estamos aqui neste plano cumprindo uma tarefa e aprendendo com as experiências que nos são apresentadas.

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Esse texto foi escrito por Antônio Carlos Izolan.

Ficou fora da edição que elaborei como apresentação de minha história. Mas é interessante.

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